Como Tocar Riffs de Metal

Por Emiliano Gomide


Um bom riff de metal é pesado e dinâmico. Riffs que não são dinâmicos acabam ficando monótonos. E um riff que não é pesado simplesmente não é um riff de metal. Então eu vou explicar exatamente o que você precisa fazer para conseguir essas duas características.

As técnicas que mostrarei aqui servirão para você tocar qualquer riff de qualquer banda de metal, como Metallica, Anthrax, Iron Maiden, Slayer, Black Sabbath, Pantera, Slipknot, Dream Theater, Dragon Force, Blind Guardian, Symphony X e muitas outras. Além disso, você poderá criar os seus próprios riffs de metal!

Como conseguir um som pesado

1º - Uma boa distorção

Para conseguir peso, primeiro você precisa de uma boa distorção. Pode ser a distorção do próprio amplificador, se ele for bom, ou de uma pedaleira de efeitos. Mas, o ideal é um pedal próprio para distorção de metal, como o Metal Muff da Electro-Harmonix.


Se você for usar uma pedaleira ou um pedal de efeito, note que existem três tipos de distorção, com diferenças sutis. A primeira é o Overdrive, que é mais leve. A segunda é o Fuzz, que é a mais suja e “grossa”. E a terceira se chama Distorção mesmo (ou Distortion), que fica no meio do caminho em termos de limpeza e é bem mais pesada e agressiva. É essa que a gente vai preferir, pois tem mais sustain, permitindo sustentar o som por mais tempo.

Para deixar o som pesado, vamos colocar bastante distorção, quase no máximo, mas tentando deixar um som limpo, para evitarmos ruídos entre as notas.

2º - Mais efeitos: Reverb e Delay (opcional)

Para deixar o som ainda mais pesado, podemos colocar outros dois efeitos, Reverb e Delay. O Reverb serve para dar presença e o Delay para dar profundidade. Podemos notar que o som passa a preencher mais o espaço, deixando uma impressão marcante.

3º - Ajustar o timbre para enfatizar os agudos

Assim, como uma pessoa pode ter voz fina ou voz grossa, a guitarra também pode ter um tom agudo ou grave. Para conseguir peso, precisamos de um som um pouco mais agudo. Então, na guitarra, vamos colocar a chave dos captadores para baixo, para captar os sons mais agudos. E, no amplificador, vamos colocar o botão do grave (bass) no nível 4, o médio (middle) no 6 e o agudo (treble) no 8. Esses valores variam para cada amplificador. Portanto, apenas tente encontrar um ajuste que deixe o som “gritante”.

Técnicas

Para falar das técnicas, eu vou usar, como exemplo, uma música do Metallica chamada Master of Puppets. Essa é uma música um pouco mais difícil de tocar para quem está começando. Então eu recomendo treinar com músicas mais simples. Mas escolhi essa música porque ela é bem rica em diferentes riffs de metal, com todas as variedades de técnicas que a gente precisa analisar. Não vou ensinar a música, apenas mostrarei alguns exemplos.

Metallica - Master of Puppets

1 - Power chords

Logo no início da música [0:00 a 0:03], notamos a presença de power chords, que são excelentes para dar peso à música. Os power chords podem ser tocados com duas ou três notas. Você escolhe. Com duas notas, você ganha agilidade e nitidez. Com três notas, você ganha peso. Às vezes, é bom variar, para obter diferentes sonoridades ao longo da música e deixar o som mais dinâmico.

2 - Intercalar power chords com dedilhados

Logo em seguida [0:03 a 0:21], o riff começa a intercalar power chords com dedilhados (uma nota de cada vez). Essa técnica de intercalar deixa o riff mais dinâmico, pois alterna uma forma mais marcante (power chords) de tocar com uma forma mais melódica (dedilhado). Essa mesma técnica é utilizada no riff seguinte [0:21 a 0:49]. Lembre-se: um som dinâmico tem a ver com contraste em diferentes sonoridades.

3 - Abafar as cordas com a mão direita

Nesse primeiros 49 segundos de música, você deve ter reparado que a maioria das notas são abafadas. Isto é, elas tem um som fechado e curto. Esse som é facilmente obtido. Basta encostar levemente a borda da mão direita no início das cordas para abafar o som. Essa técnica de abafar é, provavelmente, a técnica mais importante do metal e dá muito peso à música.

A técnica de abafar tem duas utilidades diferentes. A primeira é, justamente, conseguir um som mais abafado. A segunda é cortar o som. Então, enquanto, na primeira, o objetivo é alterar um pouco a sonoridade das notas, na segunda, nós queremos interromper abruptamente as notas. Essa cortada no som faz com que o riff fique muito mais marcante e, consequentemente, mais pesado. Não é só o que você toca, mas como você toca.

Um exemplo disso é o primeiro power chord da música [0:00], que é tocado sozinho. Ele dura menos de um segundo e a forma como ele é interrompido é através de uma abafada.

O motivo para interrompermos as notas com uma abafada é que essa é a forma mais rápida de interromper o som, e, no metal, isso é essencial, pois os riffs são mais rápidos e, às vezes, em ritmos quebrados, com frequentes pausas. Outro motivo é que estamos tocando com muita distorção, e para controlar o “barulho”, precisamos evitar que as notas fiquem soando desnecessariamente.

Como consequência disso, praticamente todos os acordes da música são abafados em algum momento, seja enquanto ele está sendo tocado, ou após ele ser tocado, para interrompê-lo.

Repare também que ao alternar partes abafadas com partes não abafadas cria-se mais dinâmica na música, pois são duas sonoridades diferentes.

4 - Velocidade

Agora, vamos para o segundo riff da música [0:21 a 0:49]. Esse riff tem mais velocidade, que é outra característica dos riffs de metal. Observe que alternar partes mais rápidas com partes menos rápidas é outra forma de deixar os riffs mais dinâmicos entre si.

Se você ainda não consegue tocar numa velocidade elevada, tenha calma. Leva um tempo para aprender, mas é algo que qualquer guitarrista pode desenvolver. Basta treinar lentamente, fazer bastante repetição e, aos poucos ir aumentando a velocidade.

5 - Power chords arrastados (slide)

Vamos falar agora de outra técnica muito característica do metal e que tem MUITO peso. Você pode escutá-la em várias partes dessa música, como no tempo [0:47 a 0:48] e em algumas vezes durante o tempo [0:52 a 1:17]. A técnica consiste em tocar um power chord e arrastá-lo rapidamente até chegar a outro power chord, criando uma transição de som contínua. Isso preenche o espaço. Pode parecer um detalhe sutil, mas não é. Faz muita diferença, deixando o riff mais marcante. Além do efeito sonoro, essa técnica é crucial para ganhar velocidade entre os power chords.

Um fator fundamental para conseguir executar essa técnica com maestria é saber encaixar os power chords no tempo certo, o que requer “pegada” e noção de ritmo, principalmente quando o tempo do riff é quebrado.

Agora é com você

No início, tocar riffs de metal parece absurdamente difícil, mas, com algumas semanas de prática, vai parecer que você tem feito isso a vida inteira. Então, comece a treinar e coloque energia nesses riffs! Aqui não tem espaço para dedos fracos.


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Bons estudos!

GuitarCoast

4 comentários:

Marcelo Quiroz disse...

Olá Emiliano, excelente artigo! Cheguei da faculdade em casa louco para pegar minha guitarra e aprender alguma coisa nova. Me inscrevi também por email para receber suas dicas, muito bom conteúdo. Obrigado!!

Emiliano Gomide disse...

Legal, Marcelo! Obrigado pelo comentário! Vou te enviar várias dicas bacanas por email. Espero que você curta! Um abraço

Junior Cunha disse...

Emiliano, tem sido muito esclarecedor esses seus posts... talvez a pergunta seja um pouco idiota, mas.. Gostaria de saber se (pq minha preferência é realmente violão) existe a possibilidade de transferir essa técnica para este instrumento?

Emiliano Gomide disse...

Oi, Junior Cunha! Dá para transferir essas técnicas para o violão também! Abraços